EDUCAÇÃO BILÍNGUE
PROJETOS DE EDUCAÇÃO BILÍNGUE PARA ESCOLAS E PROPOSTAS DE IMPLANTAÇÃO, DIREÇÃO, SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO DE CENTRO DE IDIOMAS PARA ESCOLAS, UNIVERSIDADES E EMPRESAS.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Por um cérebro bilíngue
Por um cérebro bilíngüe
Pesquisa detecta os momentos ideais para se aprender uma segunda língua
Mônica Cristina Corrêa
Temos em média 100 bilhões de neurônios que se comunicam pelas chamadas sinapses, as quais levam e registram informações. A lembrança numérica é do biólogo Rodrigo Collino, que faz pesquisas em neurociências. Num mundo em que a palavra de ordem é "globalização", esse conhecimento aparentemente quantitativo do sistema nervoso central se mostra importante para que se saiba um pouco mais sobre seu funcionamento - e, portanto, sobre sua otimização nas crescentes demandas de conhecimento do homem contemporâneo.
Por exemplo: ao avaliar a fase do maior número de sinapses durante a vida humana, pode-se prever também o melhor momento para certos aprendizados e como se estruturam as informações na memória. Em outras palavras, melhorar o desempenho. Esse é, de fato, o objetivo ao qual provavelmente servirá a pesquisa de mestrado desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) por Collino, que, além de biólogo, é professor de inglês e trabalha com testes neurofisiológicos sobre a aquisição de línguas. Seus resultados, mais do que ajudar a detectar os momentos ideais para se aprender uma língua além da materna, podem servir de base aos profissionais do ensino. Como a aquisição de idiomas se torna primordial nas sociedades atuais, o assunto envolve gerações de educadores e aprendizes.
Testes preliminares aplicados por Collino apontaram para uma melhor percepção de fonemas do inglês por indivíduos que o aprenderam entre 7 e 10 anos. De fato, é na primeira infância que ocorre uma espécie de boom de sinapses, cujo ápice se dá por volta dos 3 anos. Sabe-se também que os bebês até 1 ano de idade têm capacidade para distinguir sons e pares minimais (bad/bed do inglês, fée/feu do francês, som/são do português). A distinção desses fonemas de diferença sutil tende a rarear com o passar do tempo. "A partir de 1 ano, o bebê começa a privilegiar os sons de uma determinada língua, certamente aquela que ouve com mais freqüência", afirma Collino. Assim, é interessante que, em caso de bilingüismo, a criança ouça sons das línguas nas quais virá a ser alfabetizada.
Fenômeno inconsciente - Estudos recentes em neurociências têm sugerido que, mesmo com o passar do tempo, o sistema nervoso continua mostrando reações de distinção dos sons e nuanças, mas apenas no nível inconsciente. "O adulto vai perdendo a capacidade de identificar conscientemente sons que não pertencem à sua língua mãe. Assim, mesmo que tenha uma resposta neural ao ouvir determinados sons diferentes, ele não se dá conta." Nesse sentido, a pergunta que resta responder para os educadores é sobre qual a melhor maneira de trazer à consciência um fenômeno que se dá em nível inconsciente, "o que seria valioso àqueles que já passaram da 'idade ótima' para o aprendizado", considera Collino.
A resposta pode acarretar mudanças na área do ensino de línguas. Não é verdade que adultos não aprendem línguas, mas não se pode deixar de reconhecer, por outro lado, que a ciência comprova maior desembaraço de aquisição na infância e a perda dessa "facilidade" é progressiva no homem. Aliás, a partir dos 40 anos, os seres humanos começam a perder sinapses não utilizadas - cabe o chavão do "enferrujado" para as línguas estrangeiras - e até a terceira idade perde-se 10% dos neurônios. Eles são em número 30% maior nos homens em relação às mulheres - mas isso não significa que sejam menos inteligentes ou menos aptas a aprender.
Embora estudos apontem maior densidade de massa cinzenta em indivíduos com aprendizagem precoce de idioma estrangeiro e com bom nível de proficiência naquela língua, é possível ser fluente numa língua estrangeira mesmo começando seus estudos na idade adulta. O envolvimento emocional do adulto com uma cultura e seu interesse podem levá-lo a aprender perfeitamente. Mas os professores de línguas têm de lidar com dois aspectos fundamentais no ensino.
Vilson Leffa: a ciência da linguagem não contradiz a biologia, mas reforça seus dados com relação ao aprendizado da gramática Primeiro, a dificuldade decorrente dos anos para aqueles que nunca tiveram oportunidade de "formar um cérebro bilíngüe" precoce. Nesse caso, um trabalho de sensibilização concorre na tentativa de tornar conscientes as distinções percebidas no nível inconsciente. Esse procedimento muitas vezes esbarra em obstáculos comuns e por isso conhecidas até como "sotaques" específicos. No Brasil, ao se imitar, por exemplo, um imigrante japonês, troca-se o "l" pelo "r".
Rodrigo Collino evoca esse fato já anedótico para lembrar que isso é conseqüência de uma não-identificação consciente do par "l/r" na maioria dos falantes do japonês. Experiência realizada pela professora de francês Ligia Fonseca Ferreira, do Departamento de Letras Modernas da USP e diretora de seu Centro de Línguas, mostra que o caminho pode ser mesmo o do resgate dos aspectos mais "primitivos" da assimilação de uma língua diferente. Com a tarefa de ensinar francês para jovens e adultos ingressantes que nada conhecem ainda, Ligia faz primeiro um trabalho de sensibilização para universo sonoro. O objetivo é exercitar e ampliar a percepção, fazendo-os ouvir, às vezes repetir, fonemas, palavras, trechos de frases e canções, e promover exercícios de conscientização corporal. Nada de gramática, nem de regras nas primeiras aulas.
"A idéia é também sensibilizar os alunos a observar como recebem e percebem o idioma antes de passar à produção", explica. Ligia acredita que é preciso que um indivíduo compreenda a própria organização de seu aprendizado. Ela julga os métodos comunicativos, que exigem produção imediata, um pouco ineficazes nesse sentido. Sua abordagem vai ao encontro das pesquisas de Collino na medida em que ativa, com seus exercícios de escuta, possíveis registros armazenados na memória dos futuros falantes, o que pode levar a uma melhor consciência fonológica da língua. "Muitas vezes, a língua fascina quando ouvida e assusta ao ter de ser falada", conta Ligia. "Por isso, os aprendizes sentem emoções diferentes, nem sempre evidentes para eles mesmos, e não adiantaria, numa etapa inicial, lidar com o que é coletivo, como partir do pressuposto de que os brasileiros gostam da França e do francês.
Isso não basta para garantir a motivação ou o sucesso no aprendizado." Citando as pesquisas do neurologista Antonio Damásio, autor de O Erro de Descartes (Companhia das Letras, 336 págs., R$ 49,50), Ligia procura se distanciar também de algo que, para ela, separaria a razão, portanto os processos cognitivos, da emoção.
Dessa forma, o aluno se prepararia com mais segurança para se confrontar às outras dimensões do aprendizado da língua estrangeira. No entanto, a aquisição de um idioma requer também a parte estrutural, ou seja, a "parametrização" (sintaxe). Diferentemente do que se tenderia a crer, as idades citadas como ideais na formação de sinapses podem ser também para a alfabetização, conforme o professor Vilson José Leffa, da Universidade Federal de Pelotas (RS). "É possível ler com 3 anos de idade e até antes", diz ele. "Há casos de crianças alfabetizadas em duas línguas simultaneamente. Mas isso não quer dizer que se deva fazê-lo, pois forçar a criança pode ser prejudicial, a aprendizagem tem de ser prazerosa." Linguagem e ciência - Vilson Leffa é especializado em lingüística aplicada e também em novas tecnologias, e tem um site para discussão sobre o assunto (www.leffa.pro.br). Sua experiência lembra que a ciência da linguagem não contradiz a biologia, mas corrobora alguns de seus dados com relação ao aprendizado da gramática e dos parâmetros. "De fato, pela lingüística chomskyana, o cérebro muda com a idade, adquire outras funções e parece perder a capacidade de aprender a língua", explica. Mas o envolvimento emocional com o aprendizado pode resolver essa defasagem.
Por isso, uma outra ciência é necessária para se aprender línguas (e outras coisas): a pedagogia. "Ela tenta corrigir a natureza, ajudando o sujeito, acelerando a aprendizagem, por exemplo", afirma Leffa. Daí também as diferenciações de ensino entre adultos, jovens e crianças. Aliás, questões relativas à abordagem e método passaram por muitas fases. Segundo observa ele, em geral, uma maneira de ensinar era justamente contrária à anterior.
Depois de muitas experiências, Leffa percebe, em suas pesquisas, que "vivemos uma era pós-método; tudo já foi experimentado e no fundo existem duas maneiras de o aluno aprender uma língua: com a ajuda do método ou apesar do método". E o que acontece, atualmente, é que as várias técnicas emprestam, cada uma, a sua contribuição. "Um levantamento das abordagens usadas nas escolas oficiais ou de ensino de línguas mostra ênfase no exercício: aprendemos a falar, falando, a escrever, escrevendo, a ler, lendo", diz.
A professora de alemão Elke Specke, da Escola Suíço- Brasileira de São Paulo, testemunha essa pluralidade de métodos nas atuais salas de aula. Ensinando alemão para alunos de 10 a 11 anos que falam o português como língua materna, mas praticam ambos os idiomas desde o jardim da infância, Elke deve garantir-lhes a fluência e o bom uso da gramática e da sintaxe. Os objetivos de sua instituição é que os estudantes, ao findarem o ensino médio, sejam bilíngües, no que tem obtido êxito.
Rodrigo Collino:
resta saber como trazer à consciência um fenômeno de identificação de sons que se dá em nível inconsciente A experiência de Elke tem particularidades: ela mesma nasceu no Brasil, mas de pais alemães. Assim, nunca falou português em casa. Elke se tornaria bilíngüe ao freqüentar a escola no Brasil. Hoje, quando procura explicar o significado de uma palavra alemã, tenta fazê-lo com os recursos da própria língua, mas percebe que seus alunos encontram rapidamente um equivalente em português, com precisão e mais facilidade do que ela própria. A professora acha admissível, pois compreende que essas crianças formaram um cérebro bilíngüe e passam pela transposição entre as línguas.
A tradução é, aliás, polêmica no ensino de línguas. Por ter sido a metodologia mais antiga, também se tornou alvo das maiores críticas. Antes, ensinava-se a segunda língua pela primeira. Mais tarde considerada arcaica em relação às novas abordagens, a tradução foi praticamente "banida" da sala de aula. Curiosamente, porém, as pesquisas na área da neurociência reconhecem o armazenamento concomitante de informações no cérebro e os dados tendem a fazer com que se defenda o aprendizado cumulativo.
O professor Leffa, que pesquisou e estudou os métodos e abordagens de forma diacrônica, conclui que "o acesso ao significado por meio da tradução pode ser uma etapa necessária no desenvolvimento da língua estrangeira, principalmente em situações formais de ensino, como a sala de aula".
No entanto, o ensino de uma língua estrangeira apenas pela tradução pode ser mesmo limitante. Daí a necessidade do emprego de várias maneiras de ensinar.
De todo modo, a escola ainda terá muitos desafios nessa área. Há que se contar com a heterogeneidade dos grupos, pois, além dos interesses diferentes, as pessoas têm também maior ou menor aptidão. O papel do professor será o de despertar; levar seus alunos a terem entusiasmo pela cultura estrangeira. O primeiro pressuposto para se aprender uma língua é o de estar aberto às diferenças.
Sabe-se de longa data, aliás, que não é possível separar língua e cultura. Outra língua é uma outra maneira de dizer, portanto de pensar, viver e até sentir. Desse modo, talvez as fronteiras a atravessar sejam, ainda, as da tolerância - uma velha lição.
Quanto à ciência, avançando, vem auxiliar todo tipo de iniciativa. Leffa observa que as novas tecnologias, acompanhando as mudanças da sociedade, devem ser aproveitadas pelos professores. Mas também é um campo novo: se a técnica contribui muito para o avanço das pesquisas, faltam ainda pesquisas sobre a utilidade e os limites da técnica.
Afternoon ou Late?
Quando comecei o ensino em língua inglesa, não imaginava o fascínio que essa atitude me traria. Hoje percebo que os muitos anos e livros que estudei nada são, comparados a imensidão de como o nosso cérebro funciona e aprende. Pois isso, busco sempre mais e mais.
Uma das coisas que venho observando no aprendizado do aluno está relacionada com a maneira em como o seu cérebro assimila informação adquirida em aula e o que esse aluno transporta, em forma de comparação, para as outras informações que obtém em seu dia-a-dia.
Uma forma mais prática?! Vamos lá!
Normalmente, e em muitas metodologias aplicadas em língua inglesa, os alunos aprendem “Good Afternoon” como um cumprimento utilizado entre as pessoas, ao se encontrarem no período da tarde.
Quão não é a minha surpresa que depois de algumas lições um aluno precisou escrever algo próprio e o fez em inglês da seguinte maneira: “It is never afternoon to learn.”. Confesso que passei horas para entender o que estava escrito. Pesquisei dicionários para ter certeza da existência ou não do uso daquelas palavras, e entender o seu significado.
E depois de horas e algumas trocas de conversas com outros professores, entendemos o que aquele aluno quis dizer. Ele simplesmente traduziu a palavra afternoon como tarde, já que “Good Afternoon” significa “Boa Tarde”. Então ele quis dizer “Nunca é tarde para aprender.”.
Achei a forma de pensamento inacreditável, mas ao mesmo tempo tive que refletir no como eu poderia ajudar o aluno a “pensar em inglês”. Foi quando eu conversei com ele e expliquei que a palavra afternoon é um substantivo . Enquanto que ele deveria ter usado o late que também tem o significado de tarde mas é um adjetivo /advérbio . No caso do exemplo do aluno ele deveria usar o late porque ele se referiu a período, no caso tarde.
E esse é apenas um exemplo dos milhares que nosso misterioso cérebro pode criar. Viva o nosso cérebro!
¹Segundo Houaiss, é uma palavra que nomeia algo.
²Segundo Houaiss, é uma palavra que atribui qualidade a um substantivo.
³Segundo Houaiss, é uma palavra invariável que modifica o verbo, adjetivo, outro advérbio ou frase.
Silvana Kanai
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
EDUCAÇÃO BILÍNGUE
EDUCAÇÃO BILÍNGUE
A globalização é fator fundamental para o cidadão ingressar na sociedade como sujeito ativo, pois a exigência do mercado esta cada vez mais voltada para o desenvolvimento integral das habilidades e da construção sólida de um conhecimento social, cognitivo e emocional.
Ter competência numa outra língua que não seja a materna, facilita a integrção a esse mundo sem fronteiras, além de desenvolver o senso crítico, a reflexão, a valorização e a comparação das sememlhanças e contrastes com diversas culturas.
O aprendizado da língua estrangeira ocorre naturalmente, proporcionando o aprimoramento da educação básica e o desenvolvimento da personalidade, inteligência, sociabilidade, criatividade e sensibilidade do educando.
Diversos estudos provam que há vantagens educacionas e sociais em ser uma pessoa bilíngue ou multibilíngue. De fato, o domínio de línguas estrangeiras tem sido reconhecido como parte importante das habilidades necessárias ao alcance do sucesso no novo milênio, dessa forma, é indiscutível a importância da aquisição de uma língua estrangeira no nosso tempo.
Vantagens de ser Bilíngue
1- A criança que começa a aprender a língua estrangeira antes dos dez anos de idade tem mais chances de conseguir falar como nativo.
2 - As crianças têm habilidade natural para desenvolver a língua estrangeira com maior destreza do que os adultos.
3 - Um estudo recente sobre o cérebro mostra que este se desenvolve mais principalmente nos primeiros três anos de vida. Expor a criança a outra língua realmente estimula as células cerebrais.
4 - As crianças que falam mais de uma língua são mais criativas que aquelas monolíngües, pois aprenderam há diferentes maneiras de se expressar ou de como descrever um evento.
5 - O bom senso diz que quanto mais se fizer algo, melhor esse algo será feito. Aprender uma língua estrangeira não é exceção!
Além das razões puramente educacionais, aprender uma outra língua, fará com que a criança aprenda a apreciar e compreender melhor as pessoas com diferentes culturas, tendo elas, a habilidade de interagir, abrindo-se diversas possibilidades de desenvolvimento pessoal, cultural e profissional. A habilidade de se comunicar em mais línguas cria horizontes novos e integra a pessoa no processo de globalização que estamos vivendo.
TRABALHOS SOBRE EDUCAÇÃO BILÍNGUE
Elisabete Villibor Flory
Elizabete Flory é Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (IP-USP),e Mestre em Psicologia Social e graduada em Psicologia pela Universidade de São Paulo. É psicóloga clínica e atua como orientadora educacional no Colégio Humboldt e como professora convidada no COGEAE-PUC-SP. Atua principalmente nas áreas de bilinguismo, desenvolvimento infantil, epistemologia genética, identidade psicossocial e transtornos severos do comportamento.
Conheça alguns de seus trabalhos abaixo:
FLORY, Elisabete Villibor. Influências do bilingüismo precoce sobre o desenvolvimento infantil: uma leitura a partir da teoria da equilibração de Jean Piaget. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009
A partir de revisão de literatura sobre as influências do Bilingüismo precoce sobre o desenvolvimento infantil, foram selecionados os seguintes temas a serem analisados à luz da teoria da equilibração, de Jean Piaget: (1) antecipação da percepção da relatividade entre signo e referente no real, (2) intensificação do controle inibitório e (3) antecipação da entrada no pensamento operatório. O objetivo deste trabalho é demonstrar que a teoria da equilibração, um modelo explicativo para a construção dos sistemas cognitivos, permite a compreensão tanto das vantagens no desenvolvimento cognitivo relacionadas ao Bilingüismo Aditivo, quanto de possíveis desvantagens relacionadas ao Bilingüismo Subtrativo. No primeiro caso, o ambiente bilíngüe representaria um grande número de negações primárias no campo das línguas, o que funcionaria como um ponto de partida para que o sujeito construísse reequilibrações, ampliando e, ao mesmo tempo, conservando seu sistema cognitivo no campo da linguagem verbal. O segundo caso (Bilingüismo Subtrativo) é interpretado a partir da perspectiva piagetiana, segundo a qual o valor atribuído à meta é fundamental para que um desequilíbrio configure-se como ponto de partida para reequilibrações do sujeito, estas sim, fontes reais de progresso: neste estudo, tanto a aquisição das duas línguas quanto as vantagens cognitivas, interpretadas como fruto do funcionamento da equilibração dos sistemas de conhecimento do mundo. O contexto subtrativo implica a desvalorização da língua e cultura de origem. Para esta análise, propõe-se uma aproximação entre o conceito de valorização afetiva de Piaget e o valor utilizado como critério no modelo de estratégias de aculturação de Berry, com a ressalva de que, consonante com a perspectiva piagetiana, a valorização a que nos referimos é aquela feita pelo sujeito, não necessariamente igual à do ambiente em que vive. Portanto, conclui-se que as interações bilíngües podem representar uma intensificação da demanda do ambiente por reequilibrações no campo da linguagem verbal, intensificando o trabalho de elaboração dos caracteres negativos e, com isso, antecipando o desenvolvimento cognitivo em alguns aspectos. Tais conseqüências também podem ser expressas em termos de um aumento de condutas e , que implicam a ampliação e conservação simultâneas da estrutura cognitiva. Porém, tais resultados dependem de situações contingenciais, por exemplo, ligadas ao valor atribuído pelo indivíduo à meta a ser superada, ou, em outras palavras, ao desequilíbrio a ser compensado. Em casos de valorização negativa, as vantagens cognitivas podem não acontecer. Com o intuito de ilustrar possíveis estudos práticos a partir desta tese teórica, é apresentada uma proposta de pesquisa empírica que relaciona o desempenho em diferentes provas piagetianas – analisadas à luz da teoria da equilibração – às estratégias de aculturação, obtidas via entrevista com a criança e questionário para os pais.
Ensino de línguas acelera o desenvolvimento em crianças
Agência USP de Notícias – Publicado em 30/julho/2009
Uma pesquisa do Instituto de Psicologia (IP) da USP analisou a influência do bilinguismo precoce sobre o desenvolvimento cognitivo de crianças. Em sua tese de doutorado, a psicóloga Elizabete Villibor Flory analisou as vantagens e desvantagens do bilingüismo infantil a partir da teoria da equilibração do psicólogo suíço Jean Piaget.
FLORY, Elisabete Villibor. Relato de experiência em Instituição européia que se propõe a apresentar uma “mudança de paradigma” no cuidado à pessoa com deficiência mental. Revista Contrapontos – volume 5 – n. 2 – p. 447-465 – Itajaí, set/dez 2005
RESUMO:
Este trabalho apresenta um relato de uma experiência vivenciada na Alemanha, com base nos fundamentos teóricos da Gestalt Psicoterapia Integrativa. Tal experiência pretende, pela divulgação de uma proposta inovadora, mudar a postura no atendimento à pessoa com deficiência mental. O relato enfatiza a pertinência do trabalho em equipe e da intervenção diferenciada junto ao grupo.
FLORY, Elizabete Villibor; RAMOZZI-CHIAROTTINO, Zélia.A relação figura-fundo e as estruturas infra-lógicas na construção da identidade psicossocial de pessoas com transtornos severos do comportamento. Bol. Psicol; 56(125):171-187, jul.-dez. 2006.
Vantagens da Educação Bilíngue
Especialistas avaliam as vantagens da educação bilíngue para as crianças
Criança tem muita facilidade para aprender, inclusive outros idiomas. O que muitos pais se perguntam é quando e se devem matricular os filhos numa escola bilíngue.
Kíria Meurer
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“Quanto mais estímulo a gente dá, a gente percebe que a resposta dela também é maior. Está querendo participar da conversa”, diz Eliane Márcia Chaves, delegada.
Conversar, contar histórias. Mesmo que ainda não saiba falar, a criança entende e se comunica. Para os bebês estes estímulos são fundamentais, ajudam na construção da linguagem falada.
Na infância o cérebro se desenvolve numa velocidade impressionante. São milhares de novas conexões. Em nenhuma outra fase da vida ele trabalha com tanta intensidade, é como se neste momento o cérebro abrisse janelas que facilitam o aprendizado.
Neste período é muito mais fácil, por exemplo, aprender um outro idioma. “Tem muita interação entre os dois hemisférios, então a informação circula muito mais e é processada em mais áreas. O ideal é que a introdução deste idioma ocorra até os 12 anos, que com 12 anos a janela vai fechando esta abertura”, explica Rachel Schlindwein Zanini, neuropsicóloga.
Todos os especialistas concordam que a hora certa para começar é na infância, mas não há um consenso sobre a idade exata para iniciar o aprendizado da segunda língua. A neuropsicóloga acha melhor começar a partir dos três, quatro anos de idade, para evitar trocas de letras e problemas de linguagem.
“Primeiro ela tem que estar apta a compreender conceitos básicos da língua materna para então ela poder transpor isso para outros idiomas”, diz Zanini.
Em um aspecto ninguém tem dúvidas: é preciso despertar na criança o desejo de aprender. Pergunto a Cassiana, de cinco anos, se ela gosta de estudar na escola bilíngue, ela diz que sim, porque se fala inglês e o motivo é simples: a menina acha divertido.
O melhor jeito de aprender é como se fosse uma brincadeira, nada de pressão, nada de cobranças. A criança ouve, percebe os sons com mais clareza que um adulto e tem mais flexibilidade para articular as palavras, tudo isso também facilita o aprendizado neste período da vida.
Mariana de oito anos, já fala quatro línguas. “E o meu pai está me ensinando alemão”, afirma. Pensa que a criançada acha muito difícil? “O inglês até que é fácil, mais japonês acho que vai ser mais ou menos”, diz Vicenzo Cavalli, 8 anos.
“As pessoas que tiveram na infância um segundo idioma, aprendido de forma adequada, de forma correta, elas conseguem mudar rapidamente de foco, conseguem ter uma capacidade de atenção melhor e uma fluência verbal mais desenvolvida, inclusive na língua materna”, declara a neuropsicóloga.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
HELLO! WELCOME TO OUR BILINGUAL EDUCATIONAL PROGRAM!
Hi! This is for you! who cares about a true Bilingual Education!
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